Marie Kondo vibes
Limpeza geral
Toda vez que quero mudar alguma coisa na minha vida, eu paro e organizo o ambiente. Quero emagrecer, arrumo a cozinha. Preciso cuidar da pele, arrumo o banheiro. Quero estar sempre arrumada, arrumo meu armário. Meu quarto é meu ambiente sagrado, arrumo! Preciso trabalhar, organizo o escritorio, o computador, o celular.
E eu mudo muito, então organizo muito.
Conheci a Bia em 2023, eu acho. Bia tem a voz calma, fala pausada e dá kombucha para as amigas. Ela me propos uma troca. Organizar minha casa por fotos dela trabalhando. Pensei: Nem fodendo! Não quero ninguém na minha micro casa. Eu nem sou tão bagunçada assim...
Mas aí minha voz interior veio falar: A Bia é tão legal, vai! Ela fala devagar e vai te dar kombuncha de maçã.
Deixa ela fazer o trabalho dela, sua arrogante de merda.
Por que não?
Eu sempre gostei de categorizar os estudos, por exemplo, ou de ter uma lógica para guardar os arquivos no meu computador. Ia bem com os files no trabalho. Mas a Bia despertou um interesse pela ordem sem precedentes na minha vida. Toda minha coleção de caixas organizadoras eu devo a ela. Obrigada Bia <3
 
Ordem
s.f. Disposição organizada e ordenada das coisas, seguindo uma categoria.
Fala a verdade: ver objetos perfeitamente alinhados não provoca um pequeno prazer? Nem vem dizer que é paranoia minha... Nosso cérebro adora ordenar as coisas!
Tudo começa com a arrumação de uma gaveta. Depois um episódio da série da Marie Kondo. Quando você percebe, está presa num vídeo longo de limpeza de tapete (eu sei que você sabe do que estou falando!) e está completamente obcecada por "things organized neatly".
Não é que o caos não tenha sua bElEzA e sngficiado. Tem! Mas, em algum lugar lá no fundo, seguimos procurando harmonia.
Foto de Pavel Danilyuk: https://www.pexels.com/pt-br/foto/moda-tendencia-criativo-engenhoso-6461495/
 
Menos é mais.
será?
Mais também pode ser mais — quando existe escolha, curadoria e não acúmulo. O que você decide levar no caminho da sua felicidade? E, mais importante: que lugar você dá às coisas que ama?
Meu pai já se foi. Ele era, sem dúvida, o mais elegante da família — um tipo intelectual, discreto. Deixou algumas coisas que guardo com carinho. Outras não dizem nada. Então escolho ter menos. E dar espaço às que ficam.
Prefiro ter meu perfume favorito a ter uma prateleira inteira deles. Um só basta. Depois, um dia, o favorito muda — e a vida segue mudando junto.
Lembro do meu professor Hideo, lá pelos anos 2000. Ele segurava um chaveiro com uns 20 pendrives, e dizia:
— Só levo o que posso carregar.
 
A tarefa de casa
é simples
 
Arrume as gavetas, os armários, as estantes.
Comece com um montanha.
Depois, separe.
Caixa de doação,
saco de lixo e
esses aqui vou consertar <3
Tudo que fica, encontra seu lugar.
Depois, sem perceber,
você já limpou o coração
e colocou a cabeça no lugar.
O departamento criativo
é meio bagunçado mesmo…
mas funciona assim.
Minimalismo
Mesmo curtindo um excesso como não amar um minimalismo?
Foi na fotografia que aprendi a usá-lo para revelar a intenção do meu olhar. Quando tiro elementos da cena, algo curioso acontece: o cérebro tenta completar o que falta. A imagem abre um espaço.
O que não é mostrado — o desconhecido — cria ao redor um pequeno campo de mistério. Um segredo compartilhado com quem olha. É quase sedutor.
Na vida, o minimalismo talvez ensine isso: focar no que realmente importa para deixar espaço ao que ainda vai chegar. Talvez seja assim que a ordem aparece.
CONTRADITÁRIO
Já houve um tempo em que toda a minha vida cabia numa mala de 33 kg. E tudo o que eu queria era uma casa cheia de coisas.
Hoje tenho uma casa cheia de coisas. E às vezes tudo o que quero é viver com uma mala de 33 kg.
Talvez 2 de 23.