Ontem foi meu aniversário e recebi uma felicitação especialmente especial.

 

Esses dias escrevi aqui sobre como as pessoas gostam de ser elogiadas, e como é bonito elogiar a escolha de alguém — não o que ela herdou, e sim o que ela decidiu. Então, quando chegou o elogio, fiz o que qualquer pessoa emocionalmente equilibrada faria: abri uma auditoria para verificar se ele cumpria o critério, analisar sua natureza e avaliar a qualidade do elogio.


Minha amiga foi específica, o que é raro e incrível. Disse que tudo a que me proponho, eu faço com excelência. E que faço muitas coisas.


Fiquei ali dissecando a frase:

  • Excelência é uma escolha minha ou é só um tique nervoso? Eu desmancho trabalhos inteiros prontos e refaço tudo se encontro um erro. Sou exigente, detalhista, observadora. É tique! Só pode.
  • O "faço muitas coisas" é uma construção diária minha, um talento dado por Deus, ou é só falta de foco? Prefiro dizer que sou criativa porque sou curiosa. E talvez curiosidade seja mesmo uma escolha diária, algo em que tenho disciplina. Ou talvez seja só uma fuga constante de algo que eu nem sei o que é.

No fim da auditoria, a conclusão é que não dá pra saber se fazer muitas coisas com excelência é escolha ou é loucura. Dá pra dizer que foi bom porque foi específico. Foi bom porque é coisa de amizade. E o veredito é que temos que aceitar. Aprender a aceitar. Aprender a aceitar sem auditar.

 

Merecemos muitos elogios.