Ao final do texto de ontem pensei: amanhã vou escrever sobre música. A coisa que mais tem o poder de mudar meu humor e me deixar feliz.


Fechei meu computador de quinze anos. Entrei no Instagram. Um emoji de balão vermelho de uma pessoa que o ChatGPT - meu agente terapeutico (me julguem) -  apelidou de tartaruga. Dois segundos, talvez dois minutos, tentando entender aquilo.


Chamei a Thania para vermos um filme.

Meu nome é Agneta (Netflix).

Um filme sobre ser você mesma. Sobre amar quem você é. Sobre se descobrir. Sobre viver de acordo com suas próprias regras — em qualquer idade. Sobre se rodear de pessoas que fazem você brilhar.  O tipo de filme que não convence ninguém; só te encontra onde você já estava.

O que me pegou foi uma frase.

 

Você deveria se investir melhor.

 

Não sei se foi exatamente isso. Assisti dublado — por motivos de inclusão — e fiquei me perguntando se no idioma original essa seria mesmo a palavra. Mas não importa. Foi o que eu ouvi. E foi o que ficou.


No filme, um senhor excêntrico incentiva aquela mulher quase sem vida a se vestir com mais alegria — mais cores, roupas mais femininas, menos confortáveis. A cena me jogou numa pergunta sem querer: seria investir derivado de vestir? Ou seria vestir que vem de investir?


Fui ao dicionário, a IA do Google no caso.

 

A etimologia da palavra "investir" vem do latim "investire", que significa "cobrir, rodear, colocar roupa". Com o tempo, o termo evoluiu para se referir a dar um novo aspecto ao capital, especialmente no contexto comercial, começando no século XVII. Portanto, investir refere-se à aplicação de recursos financeiros com a expectativa de obter retornos futuros.

 

Aquele senhor excêntrico usou o termo certo. Eu que demorei uns quatrocentos anos para entender.


Não tem como não fazer a relação: se vestir bem é investir em si mesma. Simples assim. Tão simples que me pergunto por que mexeu tanto comigo. Talvez porque eu queira ter pensado nisso antes. Talvez porque o vestir seja, pra mim, uma forma de expressão — e eu já sabia disso, mas nunca tinha visto uma única palavra carregar tanta imensidão.

eu falei sobre você para o chatgpt

(in)vestir



Estava totalmente tomada pela palavra e então, no meio do filme, apareceu uma tartaruga com um balão vermelho amarrado nela — para que fosse mais facilmente encontrada.




Que ironia.

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