De um tempo para cá comecei a me perguntar:

por que escrever um blog que ninguém lê?

Provavelmente ninguém lê porque ninguém quer saber da minha vida chata. Eu mesma não quero saber da vida de muita gente, fora os grandes ícones da história da arte (todos mortos), da moda (todos mortos) e do k-drama (todos novinhos).


Outra opção bem plausível é: eu simplesmente não divulgo as coisas que eu escrevo. E aí entra um grande tema de autoanálise. E o que era pra ser um pequeno texto de introdução vai render um belo textão que talvez ninguém leia.

por que eu não divulgo as coisa que eu faço?

Isso é um padrão que não se restringe à escrita. Foi assim com o crochê, com a fotografia. Eu até tentei, mas divulgar foi o que deixou tudo meio pesado. Divulgar e, claro, esperar a reação das pessoas — que é o que de fato caga tudo.


Já que estamos falando de análise: eu sempre fiquei pensando qual era o meu sonho recorrente. Aquele mais perturbador — talvez eu caindo pelo céu sem fim, talvez dentro de um carro desgovernado que eu não conseguia assumir o controle. Como boa autossabotadora, eu nunca lembrava. Enfim.


Comecei a pensar em divulgar o blog faz mais ou menos uma semana e, adivinhem: tive meu sonho perturbador recorrente. E no meio do sonho eu o reconheci. Eu andando pelada pelas ruas, entre as pessoas, como se fosse vida normal (Como tem gente que de fato acha isso normal?). Acordei e fiz o que qualquer pessoa normal faz: perguntei pro Claude o significado daquilo. E adivinhem:

"Andar nua em público nos sonhos geralmente aponta para vulnerabilidade exposta: medo de ser vista de verdade pelos outros, de que descubram algo que você esconde — uma insegurança, uma incompetência, uma contradição."


claude

Para ajudar, resolvi fazer um mapa astral. E o meu é basicamente um manual de instruções para desaparecer. Sol na 12ª casa — introspecção. Lua na 12ª — emoções processadas em silêncio. Mercúrio na 12ª — pensamentos guardados. Marte na 12ª — energia direcionada pra dentro. Lilith na 4ª — poder escondido no privado. São quatro planetas numa única casa cujo tema principal é o invisível. O universo foi muito criativo na hora de me montar.


Mas aí vem um tal de Nodo Norte em Leão na 1ª casa e estraga tudo.


Para quem não sabe, o Nodo Norte é a missão de vida na astrologia — o que sua alma veio aprender nessa encarnação. E o meu, com toda a ironia cósmica possível, diz que meu sucesso depende simplesmente de aparecer.


Que merda é essa? O que tem de simples em aparecer?


Tudo isso para dizer que estou me desafiando a aparecer e divulgar meu blog. Indicaram o Substack, escrevi um texto lá ontem e achei estranho não compartilhar aqui então vim aqui me justificar. Afinal uma pessoa que tem medo do que os outros vão pensar é uma pessoa que fica se justificando né?!



Vou colocar a seguir — mas confesso que contar meu sonho de andar pelada na rua deve ser bem mais interessante.

 

Procurei tantas vezes por formas de expressão artística. E sempre me perdi entre monetizar com isso e querer que todos gostassem do que eu faço. Já fui piada por querer viver da minha arte.


Nunca pintei. Não desenho bem. Minha arte talvez nem seja vista como arte. E quando eu digo "minha arte" é uma tentativa de nomear algo que eu mesma não sei o que é.


Antes de eu começar a flertar com moda e fotografia, meus pais me colocaram na aula de redação. Anos depois, no mestrado, uma professora disse que nunca tinha visto uma redação tão ruim — provavelmente porque eu precisava escrever sobre um tema do qual não entendia nada.


Não lembro de muita coisa das aulas de redação. Lembro que a professora dava aula na mesma escola que eu estudava, mas para turmas mais avançadas. Lembro que ela morava perto de mim e eu ia caminhando até a casa dela. Lembro que na volta eu sempre me sentia feliz.


E lembro de um tema: escrever tudo que vinha à cabeça, sem se preocupar com estrutura, sem se preocupar com conexão entre as ideias — como muitas vezes funcionam nossos pensamentos. Adorei aquilo. Fiquei muito feliz de compartilhar pensamentos sem sentido.


Talvez isso explique por que hoje estou escrevendo um blog com meus pensamentos. Espero que, caso alguém leia, eles não sejam tão sem nexo.