Nos ultimos dias comecei um movimento de vender os excessos do meu armário, da casa, da vida.  Quem me vê desapegando das coisas pode me achar super liberta e descolada. A verdade talvez seja um pouco menos feliz.


É claro que quero sim ter uma vida mais leve. Todos os questionamentos que faço e vivencio sobre acumular coisas são verdade.  Mas qualquer desapego no momento que eu vivo é um luto que quero evitar.  


Será mais facil desapegar quando minha mãe já tiver de fato partido? Acho que não...  Será que é justo desapegar de algo dela quando ela esta aqui com vida? Acho que não também, mas tenho certeza que ela não desejava isso para meu luto.  Quando meu pai faleceu ela escolheu desapegar das coisas dele bem rápido na tentativa de evitar um sofrimento inevitável.   Acho que estou fazendo isso, mas com ela em vida, apesar de todos os dias eu perder ela mais um pouco.


Qual será a coisa mais valiosa que ela me deixou? Nem foram coisas, obvio!  Infelizmente não foi a magreza. Minha mãe me criou para ser independente e livre. Eu topei a plano dela mas a vida não. Hoje me pego decidindo se desapego de uma casaco de pele que nunca vou usar, o valor real dele para mim é o fato de ser dela.


Eu olho as coisas pela casa e não consigo mais não pensar se vou querer aquilo na nova vida que quero construir. Eu fico inventariando tudo na minha cabeça sem nem saber como vai ser esse futuro.


Dizem que todo excesso é uma falta. Mas a falta que eu sinto, excesso nenhum vai suprir.