A decoração era toda em branco e azul. O sol rachava o maior céu do mundo.
A realidade estava sentada ali, na minha frente. No cardápio, um monte de palavras que eu não queria ler.
O prato estava servido. Convidei a ilusão para sentar. Ela tinha gosto de sobremesa.
A realidade ficou ali rabiscando seus pensamentos no guardanapo.
Eu devia ter me levantado.
Eu devia ter ido embora e deixado a conta para ela pagar.
Hoje, ainda convido a ilusão para almoçar. Ela senta na mesa e permanece ali, esperando por uma realidade que a alimente. Mas quando a decoração aparece em branco e azul — eu levanto e vou embora.
No banquete da realidade, mesmo com fome, eu levanto e vou embora.