Só comecei a gostar dos filmes do Woody Allen quando entendi que todos falam sobre a mesma coisa: a permanente insatisfação humana. O personagem que tem tudo e quer mais. Que conquista e já está de olho na próxima. Que ama e ainda assim se pergunta se poderia amar diferente.

Demorei para entender que não estava assistindo a filmes. Estava me vendo.


Existe um conflito que o cérebro não resolve: o prazer agora contra a recompensa lá na frente. Saúde, dinheiro, relacionamentos — qualquer coisa que exija disciplina, espera e escolha passa por esse mesmo impasse. Comer hoje ou ser saudável daqui a três meses? Quer fazer uma viagem internacional daqui um ano ou quer curtir o fim de semana?  Só mais uma roupinha, é vintage, não vou achar outra assim...  É de seda, de cashmere.


Só hoje. Eu mereço. A vida é agora!  Só se vive uma vez.


No fim, o maior obstáculo não é externo. É esse conflito que a gente carrega, essa dualidade, a insatisfação permanente, o querer tudo ao mesmo tempo sem querer pagar preço nenhum.

Contraditórios...