Todos os anos, entre final de março e começo de abril, acontece uma feira de arte em São Paulo e eu adoro passear vendo as obras de arte contemporâneas e as pessoas descoladas que passeiam por lá.
Ano passado fui com uma amiga artista plástica, Marcela Schimidt. Ela colocou uma pulga atrás da minha orelha. Saí da feira inquieta: eu precisava de um tema. Uma única coisa capaz de atravessar tudo o que eu faço. Algo que desse sentido, que amarrasse as pontas soltas do meu ser.
Um farol.
Os pensamentos eram sobre cores, materiais, sensações.
Fotografia misturada com bordado. Flores costuradas em imagens. Drama. Profundidade. Preto. Brilho. Fiquei hipnotizda pelas cores da obra de Regina Parra.
Várias inspirações mas e o tema? A tal única coisa.
Como alguém tão aleatória, impermanente e quase desfocada poderia escolher apenas um caminho? Qual seria meu guia? Algo que não me limitasse, mas que me orientasse.
Alguém, por favor, manda um sinal!
Não mandaram. Voltei da feira e a pergunta se manteve viva por meses, intacta, sem eu desconfiar que o tema não seria sobre arte, nem sobre bordado, nem sobre foto...